DINOSSÁURIOS

04-03-2012 22:27

Caracterização
O que são?


O que são? A palavra dinossauro ou dinossáurio deriva da composição de duas palavras gregas déinos - terrível - e saurós – lagarto (por extensão, réptil). Trata-se da denominação dada a qualquer membro de um grupo de arcossauros surgido no final do período Triássico (há cerca de 230 milhões de anos) e dominante na fauna terrestre durante boa parte da era Mesozóica, do início do Jurássico até ao final do período Cretácico (há cerca de 65 milhões de anos), aquando da extinção de quase todas as linhagens, à excepção das aves – únicos representantes actuais. O dinossáurio distingue-se de outros arcossáurios (como pterossáurios e crocodilos) por um conjunto de características anatómicas, entre as quais se destacam a posição dos membros em relação ao corpo – projectados directamente para baixo – e o acetábulo (encaixe do fémur na região da bacia) aberto, isto é, o fémur encaixa-se num orifício formado pelos ossos da bacia. A maior parte dos dinossáurios era de grandes dimensões, tendo algumas espécies atingido 27 metros de altura, mas alguns eram tão pequenos como aves de capoeira. Sabe-se que os dinossáurios terão desaparecido há 65 milhões de anos por razões ainda não inteiramente compreendidas, apesar de existirem muitas teorias para explicar a sua extinção em massa. Uma delas aponta no sentido de ter ocorrido, há 65 milhões de anos, a colisão de um meteorito gigante, ou de um conjunto de meteoritos, com a Terra, o que teria provocado uma cortina de resíduos, que teria alterado o clima de forma tão súbita e radical que os dinossáurios não se teriam tido tempo para se adaptar e evitar a extinção generalizada que sobreveio. O impacto deste hipotético meteorito gigante teria levantado na atmosfera poeira suficiente para impedir que a luz do Sol alcançasse a superfície durante muitos anos, extinguindo desta forma muitas espécies vegetais e, por consequência, os dinossáurios vegetarianos que delas se alimentavam. Sem os dinossáurios vegetarianos, os carnívoros também acabariam por morrer, findando assim a era dos dinossáurios. Argumentos a favor desta teoria incluem a descoberta, em quase todo o planeta, de uma camada rochosa rica em irídio - um elemento raro na Terra, mas comum em corpos extraterrestres - datada desse período. A corroborar esta teoria parece estar também a enorme cratera existente no Golfo do México, cratera essa que terá resultado do impacto de um enorme meteorito há cerca 65 milhões de anos. Em Fevereiro de 2003, a NASA conseguiu, pela primeira vez, captar imagens nítidas e tridimensionais dos contornos desta cratera. Trata-se de um semicírculo com 3 a 5 metros de profundidade e 5 metros de largura. Pensa-se que a cratera teria 180 quilómetros de largura e 900 metros de profundidade, mas, actualmente, à face da Terra resta apenas o rebordo na península mexicana do Iucatão. Uma teoria alternativa sugere terem sido as alterações geográficas devidas à deriva dos continentes e às variações do nível médio das águas do mar que levaram à ocorrência de alterações climáticas e à mistura de populações de regiões anteriormente isoladas. Tal teria resultado numa competição acrescida e na propagação de doenças que se revelaram fatais.

 

De onde vieram?

 

De onde vieram?Os dinossáurios descendem provavelmente de um grupo de vertebrados marinhos, primitivos, sem maxilas, morfologicamente semelhantes aos peixes, conhecidos por agnatas, que existiram há 100 milhões de anos (e dos quais subsistem ainda alguns representantes de menores dimensões, como a lampreia). Estes agnatas, por sua vez, descendem de alguns cordados como os que surgiram na chamada “grande explosão” de vida que teve lugar no Câmbrico, há 544 milhões de anos. Por sua vez, os vertebrados terrestres – tetrápodes - tiveram origem num grupo de peixes sarcopterígios, que viveram do período Devónico ao Pérmico inferior, e que eram dotados de barbatanas suportadas por um esqueleto ósseo interno. Para além desta característica, possuíam igualmente a possibilidade de respirar simultaneamente por brânquias e por pulmões rudimentares, o que lhes permitiu abandonar temporariamente as águas mornas e pobres em oxigénio dos charcos e pântanos para se movimentarem em ambientes em que respiravam ar atmopsférico. Este estilo de vida acabaria por dar origem aos anfíbios (os primeiros tetrápodes). Seriam estes os antepassados de todos os vertebrados que passaram a viver e a caminhar sobre terra firme, e entre os quais se encontram os dinossáurios. Sistematizando, seriam mais ou menos estas as linhas de origem dos dinossáurios:Amniotas: - Sinapsídeos (linha dos terapsídeos que conduziu aos mamíferos modernos); - Répteis.Este grande grupo dos répteis dividir-se-ia em dois sub-grupos:- anapsídeos (linha que conduziu às tartarugas);- diapsídeos. Este grupo dividiu-se, por sua vez, em:- sauropterígios;- ictiossáurios;- lepidossáurios; (que conduziu aos lagartos e serpentes)- arcossáurios.Seria precisamente deste grupo de arcossáurios que se desenvolveriam os:- pterossáurios;- crocodilos; - dinosauria.Dos dinosauria terão evoluído as aves e os dinossáurios não avianos.O período de existência e supremacia dos dinossáurios está compreendido entre 230 e 65 milhões de anos atrás. Os crocodilos e as aves podem ser considerados os seus parentes vivos mais próximos.

 

Espécies de dinossáurios

 

O Brachiosaurus, por exemplo, era um herbívoro de pescoço comprido pertencente ao grupo dos saurópodes. Com cerca de 12,6 metros de altura, pesava 80 toneladas. O Compsognathus era carnívoro e corria sobre as patas traseiras, sendo o seu tamanho semelhante ao de uma galinha. Por seu lado, o Stegosaurus, um herbívoro coberto de placas ósseas pontiagudas e muito salientes, dispostas em duas filas ao longo da espinha dorsal, com um comprimento de cerca de 6 metros, tinha um cérebro com apenas cerca de 3 centímetros de diâmetro.É de referir que nem todos os dinossáurios tinham o cérebro pequeno; a comprová-lo estava, no extremo oposto, o Stenonychosaurus, um dinossauro caçador, de 2 metros de comprimento, que possuía um cérebro de tamanho comparável ao do de um mamífero ou ao de uma ave actuais, visão estereoscópica e patas dianteiras preênseis. Aparentemente, muitos dinossauros possuíam uma estrutura adaptada a elevados níveis de actividade. Um dos mais "mediáticos" dinossáurios, o tiranossauro, Tyrannosaurus rex, era um dinossauro terópode de grande tamanho, bípede e carnívoro, do período Cretácico Superior, que vivia principalmente na América do Norte e na Ásia. Apresenta-se de seguida uma pequena lista das espécies de dinossáurios mais conhecidas:
Alossauro
Braquiossauro
Carnotauro
Ceratossauro
Compsognathus
Diplódoco
Espinossauro
Estegossauro
Hadrossauro
Herrerassauro
Hipsilofodonte
Iguanodonte
Megalossauro
Ornitomimo
Oviráptor
Protocerátopo
Stegosauro
Stenonychosauro
Tiranossauro
Tricerátopo
Troodonte
Velociráptor

 

As últimas descobertas revelam...Aves modernas podem descender dos dinossáurios

 

Será que as aves como as conhecemos têm origem nos dinossáurios?Em 2003 foi anunciada a descoberta de um fóssil de dinossáurios que veio reforçar a tese defendida por alguns cientistas e segundo a qual as aves terão evoluído a partir destes animais pré-históricos. O fóssil, encontrado na China, apresentava as quatro patas cobertas com penas e tinha uma cauda que surgia como um tufo de penas. Segundo a equipa que estudou o fóssil, este dinossáurio deslocava-se no ar, planando de árvore para árvore, à semelhança do que fazem, presentemente, os esquilos. O fóssil, com 77 centímetros de comprimento, foi classificado como uma nova espécie do Microraptor, um género conhecido dos cientistas desde 2000, tendo-lhe sido atribuído o nome científico de Microraptor gui zhaoianus, estimando-se que tenha vivido há 124 milhões de anos no nordeste da China.Ou serão as aves modernas primas dos dinossáurios?Grande parte dos cientistas considera serem as aves descendentes dos dinossáurios. Mas outros cientistas sugerem que ambos derivam de um réptil ancestral comum que se terá desenolvido em duas linhas evolutivas distintas.Seja como for, o Microraptor gui zhaoianus parece-se de facto com as actuais aves tal como sucede com os dinossáurios carnívoros. Este espécimen é ele próprio um dinossáurio carnívoro com dentes e que não voava apesar de possuir penas. As suas unhas/garras encurvadas eram provavelmente usadas para trepar às árvores e para fugir dos predadores.A origem do vooOutra das questões levantadas por esta descoberta é como terão as aves (ou os seus ancestrais) começado a voar. Uma visão comum sobre este tema refere que o voo se terá desenvolvido quando certos animais de solo começaram a correr a velocidades cada vez maiores, tornando-se gradualmente capazes de saltar no ar.Mas outra visão aponta no sentido de o voo ter sido iniciado pelos pequenos dinossáurios que teriam começado a trepar às árvores, passando depois a planar/deslizar entre elas. Se esta teoria estiver correcta então o Microraptor gui zhaoianus poderá ser o elo perdido entre as aves actuais e os dinossáurios.

 

Os dinossáurios em PortugalAfinal também deixaram vestígios por aqui...

 

Em Abril de 2003, foi revelada uma descoberta, feita no ano de 1998, pela arquitecta Maria da Glória Araújo e pelos vigilantes António Frazão e Luís António do Parque Natural das Serras d'Aire e Candeeiros, onde foram encontradas centenas de pegadas de terópodes e dinossáurios carnívoros bípedes. Vale de Meios, uma laje com 7500 m2 repleta de marcas de dinossáurios pode ser considerado o local mais importante desta descoberta. Existe uma outra jazida paleontológica de pegadas de dinossáurios situada na Pedreira do Galinha, descoberta a 4 de Julho de 1994 por João Carvalho de STEA (Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia). Localiza-se na vertente oriental da Serra d’Aire, a cerca de 10 quilómetros de Fátima e a 16 de Torres Novas, na localidade do Bairro (Concelho de Ourém) em pleno Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros. Saliente-se que esta jazida do Jurássico médio (com cerca de 175 milhões de anos) contém, não só o mais antigo e o mais longo registo mundial de pegadas saurópodes, como também os testemunhos – em excelente estado de conservação – de alguns dos maiores animais terrestres jamais existentes. Os saurópodes eram dinossáurios herbívoros, quadrúpedes, possuidores de cabeça pequena e pescoço e cauda muito longos. O seu corpo maciço era suportado por membros grossos e possantes (semelhantes aos dos elefantes), ostentando, em cada polegar das mãos e dos pés, uma unha afilada ou garra. Os membros posteriores dos saurópodes eram, normalmente, maiores que os anteriores. Todas as pegadas que se podem observar na jazida da Pedreira do Galinha foram originalmente impressas numa lama calcária, muito fina e de grande plasticidade, depositada em meio marinho marginal e lagunar, muito pouco profundo (1 a 2 metros). Os sedimentos representados nos estratos visíveis na pedreira, depositados durante milhões de anos, foram posteriormente transformados em calcário, originando as espessas camadas de rocha que, até há relativamente pouco tempo, eram exploradas na pedreira.Na jazida, constituída pela superfície rochosa de uma destas camadas calcárias, com cerca de 60 000 m², podem observar-se várias centenas de pegadas organizadas em cerca de duas dezenas de pistas. De entre estas, destaca-se uma com 147 metros de comprimento, que corresponde à mais longa pista de dinossáurio saurópode conhecida no mundo. Os trilhos são compostos por impressões das extremidades dos membros anteriores e posteriores (a que correspondem os nossos mãos e pés, respectivamente), reflectindo nitidamente a passagem de grandes animais quadrúpedes. As impressões elípticas de maiores dimensões correspondem às marcas dos membros posteriores. Estas são imediatamente seguidas por impressões mais pequenas, em forma de meia-lua, que correspondem aos membros anteriores. Como curiosidade, refira-se que as pegadas de dinossáurio são estudadas pela Paleoicnologia, o ramo da Paleontologia que estuda os vestígios de actividade orgânica (galerias, pegadas, dejectos, ovos fósseis, etc.) dos seres vivos do passado geológico. O estudo paleoicnológico das pegadas fornece valiosas informações sobre a morfologia dos membros dos animais que as produziram, o modo de deslocação e a velocidade.Esta área da ciência viabiliza, ainda, a definição de certas características anatómicas dos animais, nomeadamente, o comprimento da perna, que é igual a cerca de quatro vezes o comprimento da pegada do pé, e a partir deste, tendo em consideração os esqueletos completos conhecidos, as dimensões aproximadas do animal. Assim, foi possível identificar na Pedreira do Galinha a passagem de animais de diferente porte, entre os quais um que poderia atingir cerca de 30 metros de comprimento.Através do estudo das pegadas, é igualmente possível conhecer o comportamento individual e social destes animais. No caso da jazida da Pedreira do Galinha, até ao momento, não foram encontradas evidências de comportamento gregário (deslocação em manadas). O conjunto das pistas sugere que se tratava sobretudo de indivíduos que se deslocavam isoladamente.Não apenas pela considerável extensão das pistas, mas também pela excelente conservação das impressões, o que lhe confere um invulgar valor científico e pedagógico, pode considerar-se esta jazida como um dos melhores exemplos de trilhos de saurópodes do mundo.A jazida paleontológica de pegadas de dinossauros da Pedreira do Galinha foi classificada como Monumento Natural em Outubro de 1996. Presentemente, está a ser elaborado um projecto de valorização que prevê a sua musealização e transformação num importante centro de educação ambiental e num pólo científico de divulgação da Geologia e da Paleontologia.

 

Bibliografia utilizada

 

Dinossáurios - Uma nova visão, A. M. Galopim de Carvalho e Vanda Faria dos Santos, Âncora Editora, 2002, Lisboa.
http://www.tyrrellmuseum.com/
http://www.geocities.com/pnsac/
http://www.universal.pt/